(In)Dependência relacional

Em Agosto.2016 aceitei o desafio da Jornalista Vanessa Vieira Dias para abordar o tema da (in)dependência relacional, colaborando num artigo publicado na edição de Agosto.2016 da Revista “Womens Health”. Fica aqui a partilha.

Joana Florindo - Womens Health Agosto2016

Preciso de um Psicólogo! Como escolho?

Muito embora tablets e smartphones façam actualmente parte do dia-a-dia da grande maioria das pessoas, ainda não vêm equipados com nenhuma tecla de acesso rápido e directo a uma listagem de Psicólogos ou Psicoterapeutas.

E mesmo que essa tecla existisse, facilitando o acesso a todos os técnicos que, por exemplo, trabalham perto do seu local de residência ou dos que dão maioritariamente resposta a problemáticas ansiosas ou depressivas, não deixaria de ter que fazer uma selecção para escolher o seu terapeuta.

Trata-se pois de uma selecção extremamente importante, que deve ser feita com cuidado e rigor uma vez está não só a escolher um especialista em Psicologia, como também a pessoa que irá partir consigo na exploração e aprofundamento do seu sofrimento, a pessoa a quem irá revelar os seus problemas e as suas dores, a pessoa que caminhará consigo rumo ao seu próprio encontro. 

Actualmente é na Internet que muitas pessoas procuram esta ajuda especializada. Pesquisas como “Psicólogos em Lisboa”, “Consultas de Psicologia no Porto”, “Consultas de Psicoterapia” ou  simplesmente “Procuro um Psicólogo” são bastante comuns e muitos são os sites de Psicólogos e de Clínicas que surgem a publicitar o seu trabalho. Aceda a todos os que captaram a sua atenção e explore-os com tempo e atenção. Procure perceber, por exemplo, quem é o técnico e que tipo de trabalho desenvolve, qual a sua experiência clínica e quais as áreas de intervenção a que se dedica. Se surgirem questões, coloque-as via email ou ligue ao Psicólogo, é a única forma de melhor se esclarecer e poder fazer uma escolha informada.

Também nos casos em que é um amigo ou familiar a disponibilizar-lhe os contactos, e se precisa de entender alguma questão sobre a ajuda que lhe pode ser conferida, sobre os valores das consultas, ou sobre o acompanhamento psicoterapêutico propriamente dito, mesmo antes de avançar para o agendamento da consulta, ligue ao Psicólogo ou envie-lhe um email a expor essas questões. Pode ainda pesquisar na Internet se o terapeuta tem uma página profissional, e através dela, complementar a informação que já dispõe sobre ele. Aceder ao site, sempre que exista, conhecer a forma como o técnico se apresenta e apresenta o seu trabalho, e perceber ainda se corresponde ou não às suas necessidades, pode revelar-se essencial no processo de selecção do seu Psicólogo.

Perceber como o processo terapêutico se processa, o que acontece nas consultas, qual o tempo de cada sessão, ou qual a periodicidade de agendamento das mesmas – se semanal ou quinzenal, são questões esclarecidas na primeira consulta. Mas caso fique com alguma dúvida não hesite em partilhá-la, é fundamental que perceba o que se vai passar para se poder envolver no processo terapêutico que se avizinha.

A primeira consulta é ainda determinante para perceber se existe empatia relacional e se existe conforto e segurança com o terapeuta para expressar as suas dificuldades e para se expor. Seguir viagem é aqui decidido e a relação que se estabelece nesta sessão é relevante para perceber se é ou não possível fazê-lo em conjunto.  A relação terapêutica é a pedra basilar do processo terapêutico, e a sua qualidade, a melhor preditora do sucesso terapêutico.