Perguntas directas sobre Sexo e Sexualidade

A convite da jornalista Ana Cristina Marques, colaborei para uma peça do jornal Observador  ““Sex Education” à portuguesa. As 14 perguntas que sempre quis fazer sobre sexo”, no passado mês de Março.2019, juntamente com outros colegas Terapeutas Sexuais e membros da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica.

A partir de um conjunto de perguntas directas, de pessoas anónimas, procurámos desconstruir mitos e falsas crenças no sentido de promover a saúde sexual.

 

Desejo Sexual Masculino

No sentido de comemorar o “Dia Mundial da Saúde Sexual” e seguindo o desafio proposto pela Associação Mundial para a Saúde Sexual de combater os mitos que lhe estão associados, aqui partilho  a minha colaboração na Women’s Health do mês de Setembro.2016, sobre o Desejo Sexual Masculino.

Joana Florindo Psi - Womens Health Setembro.2016

(In)Dependência relacional

Em Agosto.2016 aceitei o desafio da Jornalista Vanessa Vieira Dias para abordar o tema da (in)dependência relacional, colaborando num artigo publicado na edição de Agosto.2016 da Revista “Womens Health”. Fica aqui a partilha.

Joana Florindo - Womens Health Agosto2016

Dia Mundial da Saúde Sexual

Neste “Dia Mundial da Saúde Sexual” pretende-se afirmar não só o reconhecimento da sua importância na saúde global como a implementação dos direitos que lhe assistem – os DIREITOS SEXUAIS.

Conhece esses Direitos?  Tratam-se de “direitos humanos básicos e universais, afectos à sexualidade, que assentam em princípios de liberdade, igualdade, privacidade, autonomia, integridade e dignidade” e que devem ser reconhecidos, defendidos e cumpridos, no sentido de se assegurar o bom desenvolvimento e manutenção da saúde sexual.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) a Saúde Sexual é um “estado de bem-estar físico, emocional, mental e social (…) que requer uma abordagem positiva e respeitosa para com a sexualidade e relacionamentos sexuais, bem como perante a possibilidade de ter experiências sexuais prazerosas e seguras, livres de coerção, discriminação ou violência.” E trata-se de um direito de todos.

Ejaculação Prematura

A Ejaculação Prematura, vulgarmente designada de “Ejaculação precoce” ou “Ejaculação rápida”, tende a apresentar-se como a mais frequente das disfunções sexuais masculinas e a evidenciar-se como um dos principais motivos de procura de ajuda na consulta de sexologia.

Estima-se que afecte cerca de 30% a 35% dos homens europeus e norte-americanos e cerca de 11% a 20% de homens portugueses, aproximando-se dos 700 mil casos a nível nacional. É uma problemática global e significativa que requer especial atenção e divulgação, pois embora muitos homens se movam na procura de tratamento, muitos outros hesitam em fazê-lo, ficando retidos no medo, vergonha ou no puro desconhecimento.

Aqueles que chegam à consulta tendem a descrever a sua realidade como uma inconveniente e desagradável surpresa, que não pede licença para aparecer e que se instala sem ser convidada, fugindo ao seu controlo e ditando um fim demasiado rápido aos seus envolvimentos sexuais. Expressões como “é uma questão de segundos”, “parece terminar ainda antes de começar”“é demasiado rápido” e “por mais que eu queira não consigo prolongar” são regularmente escutadas em consulta e frequentemente acompanhadas por de sentimentos de tristeza, frustração e culpa.

A ejaculação tende a acontecer demasiado cedo, surgindo antes, durante ou logo após a penetração, sem que o homem consiga atrasá-la ou controlá-la, e acarretando consequências negativas várias a nível pessoal e relacional. Destas, destacam-se a nível individual os sentimentos de insatisfação e de frustração, que muitas vezes levam o homem a questionar o seu vigor e masculinidade. A angústia por não ter conseguido responder sexualmente como desejaria, a culpa associada à crença de não conseguir satisfazer @ parceir@ e o medo de poder ser criticado por el@ são igualmente marcados, e afectam negativamente a sua auto-estima e auto-imagem masculina. Na maioria das situações, as interacções sexuais seguintes tendem a ser afectadas por factores de ansiedade e exigências de desempenho, que condicionam negativamente a resposta sexual e reforçam as sensações de fracasso e inaptidão, promovendo ainda, consequentemente, um gradual afastamento íntimo e relacional. E é também comum @ parceir@ manifestar frustração e insatisfação, assim como perda de confiança em si e na sua capacidade de dar e obter prazer. A interrupção rápida e indesejada da intimidade tem muitas vezes consequências na resposta sexual d@ parceir@, podendo até determinar o surgimento de disfunções sexuais ao nível do orgasmo e/ou do desejo. A satisfação sexual e a intimidade relacional são claramente afectadas, assim como a satisfação e a qualidade de vida relacional global do casal.

Muitos dos casos que se mantêm ao longo do tempo tendem a advir da repetição sistemática de experiências precoces de masturbações rápidas, e aqueles que se evidenciam após um período de funcionamento considerado “normal”, tendem a relacionar-se mais com questões de ansiedade, frequência sexual, ou existência prévia de outras dificuldades sexuais. Uma acentuada diminuição da frequência sexual, um alargado distanciamento temporal entre os envolvimentos, o início de um novo relacionamento amoroso, a ansiedade perante as primeiras relações sexuais, ou ainda a existência de dificuldades sexuais prévias ao nível da erecção, são os exemplos mais comuns destas manifestações. Um elevado número de casos depende ainda do contexto em que o envolvimento sexual acontece e do tipo de estimulação, ocorrendo com maior frequência perante a presença de outra pessoa e não durante as experiências individuais de masturbação.

Ainda que os factores de origem resultem de uma complexa interacção de agentes orgânicos, psicológicos e socioculturais, os psicológicos parecem evidenciar-se sistemáticamente no surgimento desta problemática. A ansiedade, as expectativas de desempenho, a falta de informação acerca da resposta e da fisiologia sexual, e a aprendizagem desenvolvida aquando das primeiras experiências sexuais, são os exemplos mais comuns destes factores psicológicos. A nível orgânico podem-se destacar os processos inflamatórios e/ou infeciosos da próstata e vesicula seminal, a espinha bífida, a esclerose múltipla, ou a toma de certo tipo de medicação e/ou drogas como anfetaminas, cocaína, nicotina e alguns alucinogénios.

Cada caso deverá sempre ser entendido no âmbito da experiência sexual de cada indivíduo e casal, e deverá passar por uma avaliação global – Médica e Psicológica, na qual se avaliam os factores de origem e de manutenção que lhe são inerentes, no sentido de se poder desenvolver uma resposta terapêutica mais adequada e eficaz.

Se a ejaculação prematura afecta a sua experiência sexual não hesite em procurar ajuda junto de um Médico especialista em Urologia ou Andrologia, e de um Psicólogo especializado em Sexologia.